Quem faz o desenquadramento do MEI é, na prática, o próprio empreendedor: a comunicação é transmitida no Portal do Simples Nacional, com certificado digital ou código de acesso. A obrigação de avisar a Receita é do titular do CNPJ, e não do contador. O que muda é o tamanho do trabalho ao redor dessa comunicação — e é aí que a divisão de responsabilidades fica interessante.
Quando o faturamento ultrapassa o limite em até 20%, o MEI costuma resolver tudo sozinho: o próprio sistema calcula a guia do excesso e permite transmitir o desenquadramento até o último dia útil de janeiro do ano seguinte. Já acima de R$ 97.200,00 no ano, o desenquadramento é retroativo a 1º de janeiro do próprio ano do excesso e exige recálculo de tributos mês a mês, com guias retroativas e transição para ME — cenário em que o contador deixa de ser opcional e passa a ser proteção patrimonial.
Há ainda os desenquadramentos obrigatórios, como exercer atividade vedada ao SIMEI, tornar-se sócio de outra empresa ou abrir filial. Nesses casos, a avaliação técnica da atividade e o recálculo dos tributos desde o mês do evento fazem diferença. A Instacont, contabilidade online voltada a micro e pequenas empresas, atua justamente nesse apoio: regularização fiscal, emissão e controle de impostos e migração de MEI para ME, com atendimento digital e linguagem acessível.
Quem faz o desenquadramento do MEI: resposta direta
O desenquadramento do MEI é executado, na prática, pelo próprio empreendedor no Portal do Simples Nacional — mas a responsabilidade legal e o trabalho operacional mudam conforme o motivo. Em regra, o MEI titular é quem assina e transmite a comunicação de desenquadramento, usando certificado digital ou código de acesso. O contador entra como responsável técnico pela escrituração, pelos cálculos de tributos retroativos e pela defesa em processos de exclusão de ofício.
Se o desenquadramento é por excesso de faturamento acima de 20% do limite, a comunicação exige o recolhimento retroativo de impostos sobre o valor excedente desde o início do ano-calendário. Nesse cenário, o contador calcula a guia e orienta o enquadramento no regime adequado — contratar um contador para migrar de MEI para ME deixa de ser opcional e passa a ser uma medida de proteção patrimonial. Já no desenquadramento voluntário, o MEI consegue concluir tudo sozinho em poucos minutos, desde que não haja pendências fiscais.
O que a lei diz sobre a responsabilidade do desenquadramento
A base normativa está na Resolução CGSN nº 140/2018, que disciplina o Simples Nacional, e na Lei Complementar nº 123/2006. O artigo 100 da Resolução CGSN trata especificamente da exclusão do SIMEI: a comunicação é obrigação do contribuinte. Isso cria uma divisão clara entre quem declara e quem calcula.
O Código de Ética Profissional do Contador (Resolução CFC nº 803/1996) responsabiliza o profissional por omissão ou erro técnico quando ele assume formalmente o cliente. Ou seja: se o contador foi contratado para cuidar da contabilidade do MEI e deixa de alertar sobre o estouro do limite, responde perante o CRC e pode ser acionado judicialmente. Sem contrato formal, a responsabilidade permanece integralmente com o titular.
Obrigação do MEI: comunicar o desenquadramento por faturamento
O MEI é o sujeito passivo da obrigação acessória de comunicar o desenquadramento. A legislação atribui a ele o dever de monitorar o faturamento acumulado no ano e de transmitir a comunicação quando a receita bruta ultrapassa os limites legais. O prazo é o último dia útil do mês subsequente àquele em que o excesso ocorreu — para excesso de até 20%, a comunicação pode ser feita até o último dia útil de janeiro do ano seguinte.
Omissão nessa comunicação gera cobrança retroativa com juros e multa de mora, além de potencial exclusão de ofício. A Receita Federal cruza dados de notas fiscais eletrônicas, declarações de terceiros e movimentação financeira; o desenquadramento não comunicado costuma ser detectado em até dois anos. O titular não pode alegar desconhecimento da norma, pois o Estatuto da MEI (LC nº 128/2008) pressupõe adesão voluntária ao regime e ciência das regras.
Obrigação do contador: escrituração, DASN-SIMEI e defesa administrativa
O contador assume obrigações formais quando é contratado, ainda que pontualmente, para o processo de desenquadramento. Ele deve reconstituir a escrituração do período em que o MEI esteve irregular, apurar o excesso mês a mês, calcular ISS, ICMS, PIS, Cofins e contribuições previdenciárias retroativas e emitir a DASN-SIMEI retificadora, se necessário. A DASN-SIMEI original do ano do excesso precisa refletir a receita real, sob pena de o Fisco desconsiderar a declaração.
Em desenquadramento de ofício, o contador apresenta provas contábeis e requer efeito suspensivo. A defesa administrativa exige demonstração de que o faturamento informado pela Receita está incorreto ou de que a atividade exercida não era vedada. Sem profissional habilitado, o MEI raramente consegue reverter uma exclusão de ofício, porque não domina a linguagem dos autos fiscais.
Desenquadramento por faturamento: quem faz o quê e em qual prazo
O limite de faturamento do MEI é de R$ 81.000,00 por ano-calendário desde 2022, proporcional a R$ 6.750,00 por mês no ano de abertura. O excesso é medido sobre a receita bruta acumulada, não sobre o lucro.
A divisão de tarefas segue uma lógica simples: quanto maior o excesso, maior a complexidade tributária e menor a autonomia do MEI. Nos dois cenários abaixo, o prazo e o responsável pela execução mudam de forma objetiva. Ignorar essa diferença é o principal motivo de autuações e de migrações feitas às pressas, com dívida tributária que só aparece depois da migração.
Excesso de até 20%: o que o MEI resolve sozinho
Se a receita bruta do ano ficar entre R$ 81.000,01 e R$ 97.200,00, o MEI comunica o desenquadramento até o último dia útil de janeiro do ano seguinte, com efeitos a partir de 1º de janeiro desse mesmo ano seguinte. O imposto sobre o excesso é pago em guia única, calculada pelo próprio sistema do Portal do Simples Nacional, sem necessidade de contador para a transmissão.
Na prática, o MEI acessa o portal, escolhe a opção de desenquadramento por excesso de receita, informa o valor faturado e emite o DAS complementar. Esse caminho é o único em que a Receita permite ao MEI permanecer no regime até o fim do ano-calendário mesmo após estourar o limite.
Excesso acima de 20%: quando o contador entra em cena
Acima de R$ 97.200,00 no ano, o desenquadramento é retroativo a 1º de janeiro do próprio ano do excesso. O MEI passa a dever tributos como se nunca tivesse estado no SIMEI naquele período: as alíquotas sobem para a tabela do Simples Nacional (Anexo III, IV ou V, conforme a atividade) ou, em casos específicos, para lucro presumido. O cálculo manual é inviável para leigos, porque envolve créditos, retenções e obrigações acessórias retroativas.
O prazo para comunicar é o último dia útil do mês seguinte ao mês em que o excesso ocorreu. Se o limite estourou em março, a comunicação precisa sair até o fim de abril. O contador recalcula mês a mês, emite as guias retroativas e orienta sobre como fica a transição para ME. O custo real da omissão são os juros sobre os tributos retroativos.
Desenquadramento por comunicação obrigatória (atividade vedada, sócio, abertura de outra empresa)
Além do faturamento, três situações obrigam o MEI a se desenquadrar: passar a exercer atividade não permitida no SIMEI, tornar-se sócio ou administrador de outra empresa, ou abrir filial. Nesses casos, o desenquadramento é obrigatório a partir do mês seguinte ao evento, e a comunicação deve ser feita no Portal do Simples Nacional. A responsabilidade pela comunicação é exclusiva do titular, mas a avaliação de enquadramento da atividade frequentemente exige análise técnica.
Um eletricista que passa a executar instalações industriais de alta tensão, por exemplo, pode estar migrando de atividade permitida para vedada sem perceber. A lista de ocupações permitidas está no Anexo XI da Resolução CGSN nº 140/2018, e a interpretação de cada CNAE nem sempre é óbvia. O contador identifica se a nova atividade realmente veda o SIMEI ou se basta alterar o CNAE secundário, evitando desenquadramento desnecessário.
- Atividade vedada: comunicação em até 30 dias do início da nova ocupação
- Entrada em sociedade: desenquadramento obrigatório, mesmo sem retirada de pró-labore
- Abertura de filial: vedada no SIMEI em qualquer hipótese
- Efeitos: retroativos ao mês do evento, com tributos recalculados
O desenquadramento por essas causas não depende de contador para ser transmitido, mas o recálculo de tributos desde o mês do evento sim. Se o MEI virou sócio de uma ME em junho e só comunicou em outubro, deve tributos de julho a outubro como empresa normal. A complexidade aumenta ainda mais se houver funcionário registrado, porque a folha de pagamento passa a ter regras diferentes fora do SIMEI.
Desenquadramento voluntário: passo a passo para quem quer sair do MEI sem contador
O MEI pode pedir desenquadramento voluntário a qualquer momento, sem justificar o motivo. O efeito é sempre a partir de 1º de janeiro do ano seguinte, se o pedido for feito até o último dia útil de dezembro; se feito durante o ano, o efeito é a partir do mês seguinte ao da comunicação. Essa regra pega muitos empreendedores de surpresa: pedir desenquadramento em novembro significa dever tributos como ME a partir de dezembro.
O passo a passo no Portal do Simples Nacional é inteiramente autoexplicativo e não exige certificado digital, apenas o código de acesso do MEI. O sistema valida pendências e emite o Termo de Exclusão automaticamente. A ausência de contador nessa etapa não gera problema imediato, mas a ausência de planejamento tributário sim — esperar a virada do ano para sair do MEI muda completamente o custo da transição.
- Acesse o Portal do Simples Nacional com o código de acesso do MEI
- Clique em “Comunicação de Desenquadramento do SIMEI”
- Escolha o motivo: “por opção”
- Confirme a data de efeito exibida pelo sistema
- Baixe o Termo de Exclusão gerado
- Verifique a necessidade de nova inscrição estadual ou municipal
Depois do desenquadramento voluntário, o CNPJ continua ativo, mas o regime muda para Simples Nacional ou outro, conforme a receita. A inscrição estadual passa a ser obrigatória para quem vende mercadorias; a inscrição municipal, para prestadores de serviço. Essas inscrições não são automáticas e exigem requerimento na Sefaz e na prefeitura, etapa em que muitos MEIs travam por desconhecerem o trâmite.
Desenquadramento de ofício pela Receita: como o contador atua na defesa
O desenquadramento de ofício ocorre quando a Receita Federal detecta irregularidade que o MEI não comunicou: faturamento acima do limite, atividade vedada, sócio em outra empresa ou débito não regularizado. O ato é formalizado em Ato Declaratório Executivo (ADE), publicado no Diário Oficial. Sem impugnação, a exclusão se consolida e os tributos retroativos são lançados de ofício.
O contador atua em três frentes: verifica se o motivo alegado pela Receita procede, reconstrói a contabilidade do período questionado e protocola a impugnação com documentos comprobatórios. Em muitos casos, o cruzamento de dados da Receita considera notas emitidas por terceiros contra o CNPJ do MEI, e não apenas as notas que o próprio MEI emitiu. Receitas de cartão, repasses de marketplaces e retenções na fonte entram na conta, e o contador identifica divergências entre o faturamento real e o imputado.
- Prazo de impugnação: contado a partir da ciência do ADE
- Efeito suspensivo: a impugnação suspende a exigibilidade do crédito tributário
- Documentos úteis: extratos, notas fiscais, contrato social, DASN-SIMEI
- Resultado possível: cancelamento do ADE, manutenção da exclusão ou exclusão parcial
Se a defesa administrativa for indeferida, ainda cabe recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) em algumas hipóteses, mas o custo processual raramente compensa para valores baixos. O contador avalia se é mais barato pagar a guia retroativa ou litigar. Continuar emitindo nota após o desenquadramento agrava a situação, porque a emissão fora do regime pode gerar tributos e penalidades adicionais.
O que muda no seu bolso: custos e honorários de cada caminho
O desenquadramento em si não tem taxa no Portal do Simples Nacional — a comunicação é gratuita. O custo real está nos tributos retroativos, nas multas e nos honorários contábeis, que variam conforme o tipo de desenquadramento. Para um desenquadramento voluntário simples, sem pendências, o MEI gasta zero se fizer sozinho e entre R$ 300 e R$ 800 se contratar um contador apenas para a transmissão e orientação.
No desenquadramento por excesso acima de 20%, os honorários contábeis costumam ficar entre R$ 800 e R$ 2.500, dependendo do volume de notas e do número de meses a recalcular. A esse valor somam-se os tributos retroativos, que podem representar de 8% a 15% do excesso faturado, mais juros Selic e multa de mora de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Em um excesso de R$ 40.000, a conta total raramente fica abaixo de R$ 6.000.
Na defesa contra desenquadramento de ofício, honorários de R$ 1.500 a R$ 5.000 são comuns, dependendo da complexidade e da instância. A economia potencial, porém, pode ser muito maior: reverter uma exclusão indevida evita o pagamento retroativo de tributos que, em alguns casos, supera R$ 20.000. A decisão de contratar ou não deve comparar o honorário com o risco tributário estimado, não com o custo absoluto do serviço.
Erros que fazem o MEI perder prazo e virar ME sem querer
O erro mais frequente é monitorar o faturamento pelo lucro, e não pela receita bruta. O MEI que fatura R$ 90.000 no ano e tem R$ 30.000 de custos acha que está dentro do limite, mas o teto de R$ 81.000 incide sobre a receita bruta total, sem deduzir despesas. Esse equívoco gera desenquadramento retroativo com tributos sobre todo o excesso, e não apenas sobre o valor que excedeu os 20%.
Outro erro comum é pedir desenquadramento voluntário no meio do ano achando que o efeito será imediato. O sistema aplica efeito retroativo a 1º de janeiro, e o MEI descobre a dívida quando tenta emitir a primeira guia do novo regime. A migração de MEI para ME feita por escritório evita esse susto porque o contador simula o efeito antes de transmitir a comunicação.
- Confundir receita bruta com lucro líquido
- Pedir desenquadramento voluntário no meio do ano sem simular efeito retroativo
- Esquecer de comunicar entrada em sociedade em outra empresa
- Ignorar notas emitidas por terceiros contra o próprio CNPJ
- Não baixar o Termo de Exclusão e continuar emitindo como MEI
- Deixar de requerer inscrição estadual ou municipal após a exclusão
Perguntas frequentes sobre quem faz o desenquadramento do MEI
Posso fazer o desenquadramento sozinho pelo Portal do Simples Nacional?
Sim. O Portal do Simples Nacional permite que o próprio MEI transmita a comunicação de desenquadramento usando o código de acesso, sem certificado digital e sem procuração. O procedimento é gratuito e leva menos de dez minutos. A autonomia, porém, se limita à transmissão: o cálculo de tributos retroativos e a análise de enquadramento continuam sendo tarefas técnicas.
Sou obrigado a contratar contador depois do desenquadramento?
Depende do regime de destino. Se o desenquadramento for para lucro presumido ou real, a obrigatoriedade é ainda mais rígida. Apenas o MEI é dispensado de contador; fora do SIMEI, a dispensa não existe.
O contador pode desenquadrar meu MEI sem minha autorização?
Não. O contador pode, com procuração eletrônica, preencher e transmitir a comunicação em nome do MEI, mas a procuração precisa constar no Portal do Simples Nacional ou no e-CAC. Sem procuração válida, o contador não tem poderes para desenquadrar o CNPJ.
Quanto tempo leva para o desenquadramento valer?
O efeito depende do motivo. No desenquadramento por excesso de até 20%, vale a partir de 1º de janeiro do ano seguinte. No excesso acima de 20%, vale retroativo a 1º de janeiro do próprio ano do excesso. No desenquadramento voluntário, vale a partir de 1º de janeiro do ano em que o pedido é feito. No de ofício, vale a partir da data fixada no Ato Declaratório Executivo, geralmente retroativa ao evento que motivou a exclusão. A transmissão é imediata, mas os efeitos fiscais seguem essas datas.


















