Para muitos Microempreendedores Individuais (MEIs), o sonho de ver o negócio crescer rapidamente vem acompanhado da necessidade de expandir a equipe. Surge então a dúvida crucial: como contratar funcionário sendo MEI? A boa notícia é que sim, um MEI tem a permissão legal para ter um empregado, e este passo pode ser um divisor de águas para a produtividade e a escala do seu negócio.
Contratar um profissional pode parecer um desafio complexo, com suas obrigações e custos. No entanto, ao entender as regras específicas para o Microempreendedor Individual, é possível dar esse importante passo com segurança e dentro da legalidade. Delegar tarefas e aumentar a capacidade de atendimento significa mais tempo para focar na estratégia e no crescimento, impulsionando ainda mais o seu empreendimento.
Este guia completo foi elaborado para desmistificar todo o processo. Aqui, você descobrirá quem o MEI pode efetivamente contratar, quais são os requisitos legais indispensáveis, o passo a passo detalhado para formalizar a contratação, os custos envolvidos e, por fim, os direitos e deveres tanto do empregador MEI quanto do seu novo colaborador. Prepare-se para descomplicar a expansão da sua equipe e levar seu negócio para o próximo nível.
Quem o MEI pode contratar
O Microempreendedor Individual (MEI) tem a permissão legal para dar um passo importante no crescimento de seu negócio: a contratação de um funcionário. Esta é uma capacidade crucial que muitos empreendedores buscam para expandir suas operações e otimizar a gestão do tempo, delegando tarefas e aumentando a capacidade produtiva.
Contudo, existe uma regra fundamental que limita essa possibilidade: o MEI pode contratar apenas um único empregado. Este funcionário deve ser contratado sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), garantindo todos os direitos trabalhistas e previdenciários.
A remuneração desse colaborador deve seguir o salário mínimo nacional vigente ou o piso salarial da categoria profissional, caso exista um estabelecido por acordo ou convenção coletiva. É essencial cumprir essa determinação para que a contratação seja totalmente regular e justa.
É importante ressaltar que o funcionário contratado pelo MEI deve ter um vínculo empregatício claro e formalizado. Isso significa que ele não pode ser outro MEI prestando serviços contínuos como se fosse um empregado, nem um autônomo ou Pessoa Jurídica (PJ) atuando em substituição a um vínculo empregatício CLT.
Portanto, ao considerar como contratar funcionário MEI, pense em um único profissional que irá compor sua equipe formalmente. Esta decisão estratégica permite ao MEI focar em atividades mais complexas e no desenvolvimento do seu empreendimento, sabendo que a base legal para essa expansão está garantida.
Requisitos legais para contratação como MEI
Para o Microempreendedor Individual que decide expandir sua equipe, é fundamental conhecer as regras específicas que regem a contratação de um empregado. Diferentemente de outras modalidades empresariais, o MEI possui limitações claras que visam manter a simplicidade de sua operação e o faturamento dentro do limite estabelecido.
A principal condição legal para o MEI contratar é a permissão de ter apenas um único funcionário. Este é um ponto crucial que define a capacidade de expansão da equipe dentro do regime de Microempreendedor Individual. Caso a necessidade de mais colaboradores surja, o MEI precisará migrar para outra categoria jurídica.
Outro requisito essencial refere-se ao salário desse colaborador. O MEI deve assegurar que o valor pago ao funcionário não seja inferior ao salário mínimo nacional vigente ou ao piso salarial da categoria profissional à qual o empregado pertence. O que for maior entre os dois deve ser aplicado.
É importante ressaltar que o custo total com o funcionário, incluindo impostos e encargos trabalhistas, deve ser compatível com a capacidade financeira do negócio para que o MEI possa cumprir com todas as suas obrigações sem comprometer a saúde fiscal do empreendimento. O limite de faturamento anual do MEI permanece o mesmo, independentemente da contratação.
Mesmo sendo um MEI, é imperativo que todas as leis trabalhistas previstas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) sejam rigorosamente cumpridas. Isso inclui o registro formal em carteira, jornada de trabalho, férias, 13º salário, FGTS e outros direitos. A formalização e a transparência em todo o processo são cruciais para evitar problemas futuros.
Não há restrições específicas quanto ao tipo de atividade que o funcionário irá desempenhar, desde que seja compatível com a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) do MEI e não configure uma relação de sociedade. O foco é na função e na necessidade real do negócio para operar dentro da legalidade.
Passo a passo para contratar funcionário como MEI
Descomplicar o processo de contratação é essencial para o MEI que busca expandir. Este guia detalha as etapas necessárias para formalizar a contratação do seu primeiro funcionário, garantindo conformidade legal e tranquilidade. Seguir cada passo é fundamental para evitar problemas futuros e garantir uma relação de trabalho transparente.
Registro do empregado
O primeiro passo é o registro formal do seu funcionário. Mesmo sendo MEI, você deve utilizar o eSocial (Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas) para comunicar a contratação ao governo. Essa plataforma é a ferramenta oficial para todas as informações trabalhistas e previdenciárias.
Neste registro, serão informados dados essenciais como:
- CPF do funcionário
- Data de admissão
- Cargo e salário acordado
- Jornada de trabalho
É crucial que todos os dados sejam preenchidos corretamente e dentro do prazo estipulado (um dia antes do início das atividades) para evitar inconsistências e possíveis multas.
Assinatura da carteira de trabalho
Com a modernização, a Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) passou a ser digital. Isso significa que, após o registro do empregado no eSocial, a “assinatura” da carteira de trabalho ocorre de forma automática, sem a necessidade de um documento físico.
O empregado poderá consultar seu vínculo empregatício e todas as informações do contrato de trabalho diretamente no aplicativo da CTPS Digital em seu celular. É importante que o funcionário tenha seu CPF regularizado, pois ele é a base para o registro digital. Embora não haja mais a assinatura física, o MEI deve guardar todos os documentos de admissão do empregado para referência futura.
Obrigações fiscais e trabalhistas
Após o registro e a “assinatura” digital, o MEI passa a ter obrigações contínuas. A principal delas é o pagamento de impostos e encargos trabalhistas. Para o MEI, esse recolhimento é simplificado, mas ainda existe. Inclui o depósito mensal do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e o recolhimento do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) sobre o salário do funcionário.
Além dos encargos mensais, o MEI deve garantir todos os direitos trabalhistas previstos em lei, tais como:
- Pagamento do salário mensal (no mínimo o salário-mínimo nacional ou o piso da categoria)
- Concessão de férias remuneradas com acréscimo de um terço
- Pagamento do 13º salário
- Fornecimento de vale-transporte (se aplicável e de acordo com a legislação)
Manter-se em dia com essas obrigações é essencial para a segurança jurídica do seu negócio e para o bem-estar e a motivação do seu colaborador.
Custos envolvidos na contratação de funcionário pelo MEI
Contratar um funcionário sendo MEI implica em responsabilidades financeiras que vão além do salário. É fundamental que o Microempreendedor Individual compreenda todos os custos envolvidos para planejar suas finanças adequadamente e evitar surpresas. A boa notícia é que o MEI possui um regime de contribuição previdenciária mais simplificado e vantajoso.
Os principais custos a serem considerados mensalmente, além do salário bruto do empregado, incluem:
- Salário Mínimo ou Piso da Categoria: O valor mínimo a ser pago é o salário mínimo nacional vigente ou o piso salarial da categoria profissional, caso exista um acordo ou convenção coletiva que determine um valor superior.
- FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço): O MEI deve recolher 8% sobre o salário bruto do funcionário para o FGTS. Esse valor é depositado em uma conta vinculada ao trabalhador.
- INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) – Cota Empregador: Para o MEI, a contribuição previdenciária patronal é de apenas 3% sobre o salário do funcionário. Esta é uma vantagem significativa em comparação com outras modalidades de empresa, que geralmente contribuem com 20%.
Além desses custos fixos mensais, há outras despesas que o MEI precisa provisionar, como:
- 13º Salário: É o valor correspondente a um salário adicional, pago em duas parcelas, no fim do ano. Deve ser calculado proporcionalmente ao tempo de serviço.
- Férias + 1/3: Após 12 meses de trabalho, o funcionário tem direito a 30 dias de férias remuneradas, acrescidas de um terço do valor do salário.
- Vale-Transporte: Se o funcionário necessitar e solicitar o vale-transporte, o MEI é obrigado a fornecer. O empregador pode descontar até 6% do salário base do funcionário, e a diferença é coberta pelo empregador.
- Custos de Rescisão: Em caso de desligamento, dependendo do motivo, podem haver custos adicionais como aviso prévio indenizado, multa do FGTS (40% sobre o saldo total dos depósitos) e outras verbas rescisórias.
É essencial fazer um planejamento financeiro detalhado, considerando todos esses pontos, para que a contratação seja sustentável para o seu negócio MEI e traga os benefícios esperados sem comprometer a saúde financeira do empreendimento.
Direitos e deveres do empregador MEI
Ao decidir ampliar seu negócio e como contratar funcionário MEI, o Microempreendedor Individual assume não apenas o papel de empresário, mas também o de empregador. Isso implica em um conjunto de direitos e deveres que devem ser rigorosamente observados, garantindo uma relação de trabalho justa e em conformidade com a legislação trabalhista brasileira (CLT). A clareza sobre essas responsabilidades é fundamental para evitar problemas futuros e assegurar um ambiente de trabalho produtivo para ambos.
Os deveres do MEI como empregador são a base para uma contratação legal e ética. O primeiro e mais importante é o registro formal do empregado, incluindo a assinatura da Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) e o cadastro no eSocial. É obrigatório o pagamento do salário mínimo vigente ou do piso salarial da categoria profissional, caso exista e seja superior, além do recolhimento dos encargos sociais e trabalhistas. Estes incluem o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e a contribuição previdenciária (INSS), garantindo a proteção social do seu colaborador.
Além dos aspectos financeiros e burocráticos, o MEI deve zelar pela segurança e saúde do trabalhador, fornecendo um ambiente de trabalho adequado e os equipamentos de proteção individual (EPIs), se necessário. O cumprimento da jornada de trabalho estabelecida, o pagamento de horas extras (se houver) e a concessão de férias e 13º salário são outras obrigações que asseguram os direitos básicos do empregado. O fornecimento do vale-transporte, se solicitado, e a realização dos exames médicos admissionais, periódicos e demissionais também fazem parte desse conjunto de deveres.
Em contrapartida, o MEI também possui direitos claros como empregador. Ele tem o direito de exigir do funcionário o cumprimento das funções para as quais foi contratado, dentro da jornada de trabalho acordada. Isso inclui a observância das regras e políticas internas do seu pequeno negócio, bem como a prestação de serviços com dedicação e profissionalismo. Em caso de descumprimento, o empregador MEI pode aplicar as medidas disciplinares previstas na CLT, como advertências e suspensões, sempre respeitando o devido processo legal e o bom senso.
A gestão da equipe, mesmo que pequena, exige organização e conhecimento das leis. Estar ciente de ambos os lados da moeda – direitos e deveres – permite que o MEI construa uma relação empregatícia sólida, transparente e benéfica para o crescimento de seu empreendimento.
Dúvidas frequentes sobre contratação de funcionário por MEI
O processo de contratar funcionário MEI pode gerar muitas incertezas. Para desmistificar essa etapa, reunimos as perguntas mais comuns que surgem ao considerar a expansão da equipe no Microempreendimento Individual. Entender essas questões é fundamental para tomar decisões informadas e garantir a conformidade legal.
Uma das dúvidas mais frequentes é sobre a quantidade de funcionários que um MEI pode ter. A legislação é clara: o MEI tem permissão para contratar apenas um único empregado. Este colaborador deve receber um salário que não ultrapasse o salário mínimo vigente ou o piso salarial da categoria profissional, o que for maior.
Caso o MEI precise contratar mais de um funcionário ou oferecer um salário superior ao permitido, será necessário realizar o desenquadramento da categoria de Microempreendedor Individual. Ao se desenquadrar, o negócio passa para outro regime jurídico, como Microempresa (ME), e estará sujeito a outras obrigações e cargas tributárias.
Outra questão comum é se o funcionário pode ser contratado em regime de meio período. Sim, é perfeitamente possível contratar um colaborador para trabalhar em regime de meio período ou por jornada reduzida, desde que seja respeitada a legislação trabalhista e o limite de um único empregado para o MEI. O salário, nesse caso, será proporcional às horas trabalhadas.
Também é frequente a dúvida sobre a contratação de familiares. Um MEI pode contratar um familiar, desde que a relação de trabalho seja genuína e que todas as obrigações trabalhistas e previdenciárias sejam cumpridas rigorosamente, assim como seria com qualquer outro funcionário. Não há restrições específicas nesse sentido.
É importante lembrar que, independentemente do tipo de contrato ou da jornada, as regras da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) se aplicam integralmente. Isso significa que o empregado do MEI tem direito a todos os benefícios e proteções garantidos por lei, como férias, 13º salário, FGTS e INSS. O MEI, por sua vez, deve cumprir com todas as obrigações acessórias, como o registro no eSocial.
Manter-se atualizado sobre essas regras é vital para evitar problemas futuros e garantir uma relação de trabalho saudável e produtiva.












