Como fazer guia de recolhimento INSS?

Two professionals exchanging documents in an office setting, focusing on paperwork and data analysis.

O guia de recolhimento do INSS é um documento essencial para qualquer empresa que tenha funcionários, mas muitos empreendedores ainda sentem dificuldade em entender como fazer esse procedimento corretamente. Seja você um MEI, microempresa ou pequena empresa, saber como gerar e utilizar esse guia de forma adequada é fundamental para manter sua empresa regularizada e evitar multas e penalidades junto ao Instituto Nacional do Seguro Social.

A boa notícia é que o processo de como fazer guia de recolhimento INSS é mais simples do que parece, especialmente quando você conta com as ferramentas certas e orientações claras. O guia nada mais é do que um comprovante de contribuição que você precisa gerar para cada mês, informando os dados dos seus colaboradores e o valor que será descontado de seus salários. Esse documento é obrigatório e deve ser mantido em seus registros para fins de comprovação junto aos órgãos fiscalizadores.

Neste artigo, vamos te mostrar passo a passo como gerar seu guia de recolhimento do INSS de forma prática e sem complicações, para que você possa manter sua folha de pagamento organizada e sua empresa sempre em dia com as obrigações fiscais.

O que é a Guia de Recolhimento do INSS (GPS) e para que serve

A Guia da Previdência Social (GPS) é o documento oficial utilizado para recolher contribuições previdenciárias ao Instituto Nacional do Seguro Social. Em termos práticos, é por meio dela que autônomos, empresas, empregadores domésticos e segurados facultativos pagam sua parte ao sistema público de previdência, garantindo acesso a benefícios como aposentadoria, auxílio-doença, salário-maternidade e pensão por morte.

A GPS não é apenas uma formalidade burocrática. Cada competência recolhida corretamente conta como um mês de contribuição no histórico previdenciário do segurado. Sem o recolhimento regular, o trabalhador perde a qualidade de segurado e pode ficar sem cobertura em situações de incapacidade ou afastamento. Para empresas, o não recolhimento gera débitos junto à Receita Federal, multas e possível inscrição em dívida ativa.

Quem precisa emitir a guia de recolhimento do INSS

A obrigação de emitir e pagar a GPS varia conforme a categoria do contribuinte. Entender em qual grupo você se enquadra é o primeiro passo para emitir a guia corretamente e usar o código de pagamento adequado.

Contribuinte individual (autônomo e MEI)

O contribuinte individual é o trabalhador que presta serviços por conta própria, sem vínculo empregatício — médicos, advogados, motoristas de aplicativo, prestadores de serviço em geral. Esse grupo precisa emitir a GPS mensalmente e recolher a contribuição sobre o salário de contribuição escolhido, respeitando o piso (salário mínimo) e o teto previdenciário. Saiba mais sobre quem se enquadra nessa categoria antes de emitir a guia.

O MEI, por sua vez, recolhe o INSS de forma simplificada por meio do DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional), que já inclui a contribuição previdenciária à alíquota de 5% sobre o salário mínimo. O MEI não emite GPS separada para sua contribuição pessoal, mas pode precisar dela em situações específicas, como complementação de alíquota para se aposentar por tempo de contribuição.

Empregador doméstico

Quem contrata empregada doméstica, babá, motorista particular ou cuidador de idoso com carteira assinada é considerado empregador doméstico e tem obrigação de recolher o INSS tanto do empregado quanto a parte patronal. Hoje esse recolhimento é feito via eSocial Doméstico, que gera automaticamente a guia DAE (Documento de Arrecadação do eSocial). Em alguns casos específicos, ainda pode ser necessária a GPS manual.

Segurado facultativo

O segurado facultativo é aquele que não exerce atividade remunerada com cobertura obrigatória do INSS — donas de casa, estudantes, desempregados que desejam manter a cobertura previdenciária. Esse grupo emite a GPS mensalmente de forma voluntária. Entenda melhor a diferença entre contribuinte individual e segurado facultativo para saber qual categoria se aplica ao seu caso.

Empresas e empregadores em geral

Empresas que possuem empregados com carteira assinada recolhem o INSS por meio da GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social) ou, atualmente, via eSocial integrado ao DARF Previdenciário. A GPS ainda é usada por empresas em situações pontuais, como pagamento de contribuições em atraso, competências específicas fora do sistema eletrônico ou recolhimentos oriundos de processos trabalhistas.

Passo a passo: como fazer a guia de recolhimento do INSS pela internet

O processo de emissão da GPS online é simples e pode ser feito sem sair de casa. Siga cada etapa com atenção para evitar erros que invalidem o documento.

Passo 1 – Acesse o sistema de cálculo da GPS no Portal Gov.br

Acesse o site sal.receita.fazenda.gov.br (Sistema de Acréscimos Legais da Receita Federal) ou, para guias sem atraso, o sistema de emissão de GPS disponível no portal gov.br. Não é necessário login ou cadastro para emitir a guia básica — basta acessar diretamente a ferramenta de cálculo e geração.

Passo 2 – Informe o NIT/PIS/PASEP ou CNPJ

O NIT (Número de Identificação do Trabalhador) é o identificador do segurado pessoa física no INSS. Ele é o mesmo número do PIS ou PASEP. Empresas informam o CNPJ. Esse campo é obrigatório e deve ser preenchido corretamente, pois é ele que vincula o recolhimento ao histórico previdenciário do contribuinte.

Passo 3 – Selecione o código de pagamento correto

Cada categoria de contribuinte possui um código específico. Usar o código errado é um dos erros mais comuns e pode fazer com que o recolhimento não seja computado corretamente. Veja a tabela de códigos mais utilizados na seção específica deste artigo. Para contribuintes individuais, consulte também qual o código correto para sua situação.

Passo 4 – Informe a competência (mês/ano de referência)

A competência é o mês e ano ao qual a contribuição se refere, não necessariamente o mês do pagamento. Por exemplo, se você está pagando em julho a contribuição de junho, a competência é 06/2025. Informar a competência errada pode gerar problemas no histórico contributivo e exigir retificação posterior.

Passo 5 – Calcule o valor da contribuição

Informe o salário de contribuição (base de cálculo) e o sistema aplicará automaticamente a alíquota correspondente à sua categoria. Para guias em atraso, o sistema SAL já calcula multa e juros automaticamente com base na data de vencimento original. O valor mínimo de contribuição é sempre calculado sobre o salário mínimo vigente.

Passo 6 – Gere e imprima ou salve a GPS em PDF

Após preencher todos os campos, clique em “Gerar GPS”. O sistema exibirá a guia com código de barras, valor total, data de vencimento e todos os dados do recolhimento. Salve em PDF ou imprima. A guia gerada pode ser paga em qualquer banco, lotérica ou pelo internet banking.

Como calcular o valor correto da contribuição previdenciária

Alíquotas vigentes por categoria de contribuinte

As alíquotas do INSS variam conforme a categoria do segurado e o salário de contribuição escolhido. As principais vigentes são:

  • Contribuinte individual (alíquota normal): 20% sobre o salário de contribuição (entre o mínimo e o teto)
  • Contribuinte individual com redução (sem direito à aposentadoria por tempo de contribuição): 11% sobre o salário mínimo
  • Segurado facultativo: 20% (alíquota normal) ou 11% (plano simplificado, sem acesso a aposentadoria por tempo de contribuição)
  • Segurado facultativo baixa renda (donas de casa inscritas no CadÚnico): 5% sobre o salário mínimo
  • MEI: 5% sobre o salário mínimo, incluso no DAS
  • Empregado (descontado em folha): alíquota progressiva de 7,5% a 14%, conforme tabela vigente

Como usar o SAL (Sistema de Acréscimos Legais) para guias em atraso

O SAL é a ferramenta oficial da Receita Federal para calcular GPS em atraso. Ao informar a competência e a data de pagamento, o sistema aplica automaticamente a multa de 0,33% ao dia (limitada a 20%) e os juros pela taxa SELIC acumulada desde o vencimento. Acesse em sal.receita.fazenda.gov.br e siga o mesmo fluxo de emissão, informando a data de pagamento futura para obter o valor exato com acréscimos. Veja também como calcular o INSS atrasado passo a passo.

Multa e juros por atraso no pagamento do INSS

O vencimento da GPS para contribuintes individuais e facultativos é sempre no dia 15 do mês seguinte à competência. Quando esse dia cai em fim de semana ou feriado, o prazo é prorrogado para o próximo dia útil. Após o vencimento, incidem:

  • Multa: 0,33% ao dia de atraso, limitada a 20% do valor devido
  • Juros: taxa SELIC acumulada mês a mês desde o vencimento

Para entender melhor o cálculo dos juros, confira como calcular os juros da GPS em atraso.

Tabela de códigos de pagamento da GPS mais utilizados

Usar o código correto é fundamental para que o recolhimento seja contabilizado no histórico previdenciário. Os códigos mais comuns são:

  • 1007 – Contribuinte individual: recolhimento mensal (alíquota de 20%)
  • 1163 – Contribuinte individual: plano simplificado (alíquota de 11%)
  • 1473 – Segurado facultativo: alíquota normal (20%)
  • 1929 – Segurado facultativo: plano simplificado (11%)
  • 1457 – Segurado facultativo baixa renda (5%)
  • 2100 – Empregador doméstico (recolhimento anterior ao eSocial)
  • 2631 – Empresas em geral: contribuição previdenciária patronal
  • 2682 – GPS para processos trabalhistas (TRT/TST)

Como pagar a guia de recolhimento do INSS

Pagamento pelo internet banking ou aplicativo do banco

A forma mais prática é acessar o internet banking ou o aplicativo do seu banco e utilizar a opção de pagamento por código de barras. Basta digitar ou escanear o código da GPS, conferir os dados (valor, competência, beneficiário) e confirmar o pagamento. O comprovante eletrônico já serve como prova de recolhimento.

Pagamento em lotéricas e agências bancárias

A GPS pode ser paga presencialmente em qualquer agência da Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Bradesco e demais bancos conveniados, além das lotéricas. Apresente a guia impressa ou o código de barras no celular. Atenção: algumas lotéricas cobram taxa de serviço para pagamentos de tributos federais.

Pagamento via PIX ou código de barras

Desde a modernização dos sistemas bancários, muitos bancos permitem o pagamento da GPS via leitura do código de barras pelo aplicativo, sem necessidade de imprimir o documento. O PIX ainda não é aceito diretamente para GPS, mas o pagamento por código de barras digital equivale ao mesmo processo e é amplamente aceito.

Guia de recolhimento do INSS em casos especiais

GPS para contribuições previdenciárias em processos trabalhistas (TRT)

Quando há condenação em processo trabalhista, o juiz determina o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre as verbas reconhecidas na sentença. Nesses casos, utiliza-se o código 2682 na GPS, e o recolhimento deve ser feito até a data determinada na decisão judicial. O valor é calculado com base nas alíquotas do empregado e do empregador sobre as verbas de natureza salarial reconhecidas.

GPS para empregador doméstico via eSocial

O empregador doméstico que registrou seu funcionário no eSocial Doméstico não emite GPS manualmente. O sistema gera o DAE (Documento de Arrecadação do eSocial) automaticamente com todos os tributos devidos: INSS do empregado, INSS patronal, FGTS e seguro acidente de trabalho. O DAE é pago até o dia 7 do mês seguinte à competência.

GPS para segurado que perdeu o prazo de pagamento

Quem perdeu o prazo deve emitir a GPS pelo sistema SAL, que calculará automaticamente multa e juros. É importante pagar o quanto antes, pois os juros são cumulativos. Segurados que ficaram muito tempo sem recolher podem precisar de orientação específica para manter a qualidade de segurado e evitar perda de benefícios.

Erros comuns ao emitir a guia de recolhimento do INSS e como evitá-los

Mesmo com o processo online simplificado, alguns erros recorrentes comprometem a validade do recolhimento:

  • Código de pagamento errado: o recolhimento vai para categoria diferente da sua, podendo não ser computado. Sempre confirme o código antes de gerar a guia.
  • Competência incorreta: informar o mês errado faz com que a contribuição não seja creditada no período desejado. Verifique sempre o mês de referência, não o mês de pagamento.
  • NIT/PIS errado: o recolhimento não é vinculado ao segurado correto. Confirme o número no cartão do PIS ou no portal Meu INSS.
  • Valor abaixo do mínimo: contribuições abaixo do piso (salário mínimo × alíquota) não são aceitas como competência válida para fins de carência.
  • Não guardar o comprovante: o comprovante de pagamento é a única prova do recolhimento em caso de divergência no CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais). Guarde por pelo menos 10 anos.
  • Pagar GPS com dados errados e não retificar: se a guia foi paga com informações incorretas, é necessário solicitar retificação junto à Receita Federal. Saiba como cancelar ou corrigir uma GPS emitida incorretamente.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Qual é o prazo para pagar a guia de recolhimento do INSS?

Para contribuintes individuais e segurados facultativos, o vencimento é no dia 15 do mês seguinte à competência. Quando cai em feriado ou fim de semana, o prazo é prorrogado para o próximo dia útil. Empresas têm prazo diferente, geralmente o dia 20 do mês seguinte.

Como emitir a GPS para contribuições em atraso?

Acesse o sistema SAL (sal.receita.fazenda.gov.br), informe seu NIT ou CNPJ, o código de pagamento, a competência em atraso e a data prevista de pagamento. O sistema calculará automaticamente o valor com multa e juros. Gere a guia e pague normalmente em qualquer banco ou lotérica.

É possível emitir a guia de recolhimento do INSS sem CPF?

Não. O CPF (ou o NIT/PIS vinculado a ele) é obrigatório para emissão da GPS de pessoa física. Sem esse número, o sistema não consegue vincular o recolhimento ao histórico previdenciário do segurado. Caso ainda não tenha NIT, é necessário se cadastrar no INSS antes de emitir a primeira guia — veja como se cadastrar como contribuinte individual no INSS.

Como saber se minha GPS foi processada corretamente?

Após o pagamento, aguarde de 3 a 5 dias úteis e acesse o portal Meu INSS (meu.inss.gov.br) com login Gov.br. Na seção “Extrato de Contribuições (CNIS)”, verifique se a competência paga aparece registrada com o valor correto. Caso não apareça em até 30 dias, leve o comprovante a uma agência do INSS ou entre em contato pela Central 135 para regularização.

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