Encerrar o MEI é mais do que um ponto final, é um novo começo para muitos empreendedores. Seja pelo crescimento do seu negócio, pela necessidade de contratar mais funcionários ou por uma reestruturação estratégica, a decisão de formalizar após o MEI traz consigo uma série de questionamentos. O que vem depois do MEI? Quais são os próximos passos para garantir a legalidade e o sucesso da sua empresa? É natural sentir-se um pouco perdido diante das novas possibilidades e exigências.
Muitos se deparam com dúvidas sobre como migrar para outros tipos jurídicos, como a Microempresa (ME), escolher o regime tributário mais adequado e entender as novas obrigações fiscais e contábeis. A transição exige um planejamento cuidadoso e o conhecimento das melhores práticas para evitar problemas futuros. Este artigo foi cuidadosamente elaborado para ser o seu guia completo nessa jornada. Vamos desmistificar os caminhos que se abrem após o encerramento do seu registro de Microempreendedor Individual, detalhando as etapas essenciais para que você continue a empreender com segurança, inteligência e total regularidade, garantindo um futuro próspero para sua atividade.
Passos para formalizar após o MEI
Transição de MEI para ME
Após o encerramento do MEI, muitos empreendedores se veem diante da necessidade de formalizar sua atividade de uma nova maneira. A transição mais comum é para Microempresa (ME), um regime que se adapta ao crescimento do negócio e permite novas possibilidades, como a contratação de mais funcionários ou o faturamento superior ao limite do MEI.
Essa migração é um passo estratégico, geralmente motivado pelo aumento da receita, pela intenção de expandir os tipos de atividades ou pela entrada de sócios, algo não permitido no MEI. Ela representa uma evolução e exige a alteração do registro da empresa junto aos órgãos competentes.
O processo de se tornar uma ME envolve a baixa do CNPJ como MEI e a abertura de um novo CNPJ sob a nova natureza jurídica. Embora pareça complexo, com o suporte adequado, é um caminho claro para a continuidade e a expansão do seu empreendimento, desmistificando o que vem depois do MEI.
Documentação necessária
Para realizar a transição do seu negócio de MEI para ME de forma eficiente, é crucial ter a documentação correta em mãos. A lista pode variar ligeiramente conforme o estado e a natureza específica da sua nova empresa, mas alguns itens são universalmente exigidos para o processo de formalização.
É recomendável que o empreendedor busque o apoio de um contador, que guiará sobre a documentação específica e os trâmites junto à Junta Comercial. Contudo, prepare-se para os seguintes documentos:
- Documentos Pessoais: RG, CPF, comprovante de endereço do titular (e dos sócios, se houver).
- Comprovante de Endereço Comercial: Caso o endereço da empresa seja diferente do residencial.
- Carnê-leão ou Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF): Para comprovar a renda do empreendedor.
- Certificado de Condição de Microempreendedor Individual (CCMEI): Documento que comprova o registro ativo do MEI.
- Relatórios de Faturamento: Comprovantes de receita bruta do período em que o MEI esteve ativo, especialmente se o desenquadramento ocorreu por excesso de faturamento.
- Contrato Social (ou Requerimento de Empresário Individual): Este será o novo documento constitutivo da sua ME, detalhando a estrutura da empresa.
- Inscrição Municipal e Estadual (se aplicável): Para algumas atividades, são necessárias inscrições específicas.
A organização prévia desses documentos agiliza bastante todo o processo, evitando atrasos e garantindo uma transição suave para o seu novo patamar empresarial.
Novos regimes tributários disponíveis
Depois de encerrar o MEI, o empreendedor se depara com um novo universo de regimes tributários. Entender essas opções é fundamental para formalizar seu negócio corretamente e otimizar a carga fiscal. Essa transição representa um passo importante na evolução da sua empresa e exige um bom planejamento.
Diferenças entre MEI, ME e EPP
O MEI oferece um arcabouço muito simplificado, mas suas limitações de faturamento e contratação frequentemente impulsionam o empreendedor a buscar outras estruturas.
Uma Microempresa (ME) é definida por um faturamento bruto anual de até R$ 360.000,00. Ela permite uma gama mais ampla de atividades, a contratação de mais funcionários e maior flexibilidade operacional.
Já a Empresa de Pequeno Porte (EPP) possui um faturamento anual entre R$ 360.000,01 e R$ 4.800.000,00. Tanto a ME quanto a EPP podem optar por diferentes regimes tributários, oferecendo muito mais possibilidades do que o MEI. As principais distinções residem nos limites de receita e nas obrigações fiscais e trabalhistas.
Como escolher o melhor regime
A seleção do regime tributário ideal é uma decisão crucial que impacta diretamente a lucratividade e a burocracia do seu negócio. Considere o faturamento anual projetado, o tipo de atividade que você exerce e seus custos operacionais.
O Simples Nacional é frequentemente a escolha mais popular para MEs e EPPs devido à sua forma simplificada de recolher diversos impostos em uma única guia. Isso facilita a gestão e reduz a complexidade fiscal.
No entanto, dependendo da sua margem de lucro e das despesas específicas da sua atividade, regimes como o Lucro Presumido ou, em casos mais complexos, o Lucro Real podem ser mais vantajosos.
É altamente recomendável buscar a orientação de um contador experiente. Esse profissional poderá analisar sua situação em detalhes e ajudar a navegar pelas complexidades de cada regime, garantindo conformidade e eficiência fiscal enquanto você avança para o que vem depois do MEI.
Obrigações fiscais e contábeis após o MEI
Após encerrar o registro como Microempreendedor Individual (MEI), sua empresa passa a ter um novo perfil e, com ele, novas responsabilidades. As obrigações fiscais e contábeis se tornam mais complexas, refletindo o novo porte e as escolhas feitas em relação ao seu tipo jurídico e regime tributário. Entender o que vem depois do MEI em termos de compromissos legais é crucial para a saúde financeira do seu negócio.
Impostos e declarações exigidos
A transição do MEI significa deixar o Simples Nacional para o MEI (SIMEI) e, geralmente, ingressar no Simples Nacional como Microempresa (ME) ou Empresa de Pequeno Porte (EPP). Contudo, dependendo do faturamento e da atividade, outras opções como Lucro Presumido ou Lucro Real podem ser consideradas.
As obrigações tributárias mudam significativamente. Em vez de um valor fixo mensal, você passará a calcular e recolher impostos baseados no faturamento real da empresa. Isso inclui, dependendo do seu regime e atividade:
- Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ);
- Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL);
- PIS e COFINS;
- Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), se aplicável;
- Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) ou Imposto sobre Serviços (ISS).
Além dos impostos, a exigência de declarações fiscais e contábeis se expande. Haverá declarações mensais, trimestrais e anuais que precisam ser enviadas aos órgãos competentes (Receita Federal, Secretaria da Fazenda Estadual/Municipal). A complexidade dessas declarações exige, na maioria dos casos, o acompanhamento de um contador qualificado para garantir a conformidade e evitar multas.
Como contratar funcionários
Uma das grandes limitações do MEI é a permissão para ter apenas um funcionário. Ao formalizar sua empresa para outro porte, como uma Microempresa (ME), essa restrição é flexibilizada, permitindo que você expanda sua equipe de acordo com as necessidades do seu negócio.
Contratar funcionários após a formalização do MEI implica em novas responsabilidades legais e trabalhistas. Você precisará seguir a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e cumprir diversas obrigações, como:
- Registro em Carteira: Formalizar o vínculo empregatício através da Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) e do eSocial.
- Salário e Benefícios: Pagar salário conforme a função e piso da categoria, além de benefícios como vale-transporte e alimentação, se aplicável.
- Encargos Sociais e Trabalhistas: Recolher o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) patronal, PIS/PASEP e outras contribuições.
- Férias e 13º Salário: Garantir os direitos trabalhistas de férias remuneradas e o pagamento do 13º salário.
- Segurança e Saúde no Trabalho: Implementar normas de segurança e medicina do trabalho, conforme exigido pela legislação.
A gestão de folha de pagamento e os trâmites de contratação e demissão são processos que demandam atenção. Contar com a assessoria de um escritório de contabilidade é fundamental para lidar com essas questões de forma correta e evitar passivos trabalhistas, garantindo a conformidade legal da sua empresa.
Como manter a regularidade da empresa
Após o encerramento do MEI e a transição para um novo tipo jurídico, a manutenção da regularidade da sua empresa é um pilar essencial para o sucesso e a longevidade do negócio. Este é um período que exige atenção redobrada a uma série de obrigações legais, fiscais e contábeis, garantindo que sua atividade permaneça em total conformidade com a legislação vigente.
Muitos empreendedores, ao desbravar o que vem depois do MEI, percebem que a complexidade aumenta. Contudo, com planejamento e as informações corretas, é possível navegar por essas novas exigências sem sobressaltos, protegendo sua empresa de futuras sanções e problemas.
Atualização de dados cadastrais
Um dos primeiros passos para assegurar a regularidade da sua nova empresa é a atualização de todos os seus dados cadastrais. A migração do MEI para outro formato jurídico implica em mudanças significativas que precisam ser refletidas nos registros oficiais e em todos os seus relacionamentos comerciais.
- Registro na Junta Comercial: Sua empresa terá um novo registro e, possivelmente, uma nova Razão Social. Certifique-se de que todas as alterações estejam devidamente arquivadas.
- CNPJ e Inscrições Estaduais/Municipais: Verifique se o CNPJ foi atualizado corretamente ou se um novo foi emitido (em caso de constituição de nova empresa). As inscrições estaduais (se aplicável) e municipais também precisam refletir a nova realidade.
- Alvarás e Licenças: É provável que você precise de novos alvarás de funcionamento e licenças específicas, dependendo do tipo de atividade e do porte da sua empresa. Consulte os órgãos competentes.
- Bancos e Fornecedores: Comunique a alteração do seu status jurídico a bancos, fornecedores e parceiros comerciais. Isso é crucial para manter a fluidez das operações financeiras e contratuais.
Cuidados para evitar problemas legais
A transição para um novo modelo de negócio traz consigo um conjunto mais robusto de responsabilidades. Ignorar ou negligenciar essas obrigações pode acarretar multas, auditorias e, em casos mais graves, a interrupção das suas atividades. A palavra-chave aqui é proatividade.
- Contabilidade Profissional: Ao sair do MEI, a contratação de um contador se torna indispensável. Ele será o responsável por todas as suas obrigações fiscais e contábeis, desde a apuração de impostos até a entrega de declarações.
- Regime Tributário Adequado: Garanta que sua empresa esteja enquadrada no regime tributário mais vantajoso (Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real) e cumpra rigorosamente com o pagamento dos impostos devidos.
- Emissão de Notas Fiscais: A emissão correta de notas fiscais de produtos e serviços é uma obrigação primordial. Mantenha-se atento às regras do seu regime e às especificidades de cada transação.
- Obrigações Trabalhistas e Previdenciárias: Se você planeja contratar funcionários, familiarize-se com a legislação trabalhista. O cumprimento das obrigações com carteira assinada, FGTS e INSS é fundamental.
- Revisão de Contratos: Todos os seus contratos (com clientes, fornecedores, parceiros) devem ser revisados e, se necessário, adaptados à nova estrutura jurídica da sua empresa.
Manter a empresa regular é um processo contínuo que assegura a sua credibilidade e a solidez do seu crescimento no mercado. Ao se atentar a esses pontos, você constrói uma base sólida para o futuro.
Dúvidas frequentes sobre o fim do MEI
Após formalizar o encerramento do seu registro de Microempreendedor Individual (MEI), é comum que surjam diversas perguntas sobre os passos seguintes. A transição para uma nova fase empreendedora pode gerar incertezas, e ter clareza sobre esses pontos é fundamental para a segurança jurídica e financeira do seu negócio.
Uma das primeiras questões diz respeito ao Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). Ao dar baixa no MEI, o CNPJ não é simplesmente “apagado”; ele é desativado para o formato MEI. Se decidir abrir uma nova empresa, como uma Microempresa (ME), um novo CNPJ será gerado, e não haverá reativação do número anterior.
Outra dúvida recorrente é sobre as obrigações fiscais e o que vem depois do MEI. Mesmo após o encerramento, é obrigatório apresentar a Declaração Anual Simplificada para o Microempreendedor Individual de Situação Especial (DASN-SIMEI de baixa). Esta declaração informa o faturamento do período até a baixa. É crucial também quitar todos os boletos DAS-MEI pendentes até o mês do encerramento para evitar dívidas ativas.
Muitos perguntam se é possível abrir outro MEI. A resposta geralmente é não, especialmente se o encerramento ocorreu por desenquadramento (exceder faturamento ou contratar mais funcionários) ou pela opção de migrar para outro porte empresarial. O caminho natural é a formalização como outro tipo jurídico, como uma ME ou Empresa de Pequeno Porte (EPP), com um regime tributário adequado.
Em relação a dívidas pendentes do período MEI, o encerramento da empresa não as extingue. Todas as obrigações financeiras e tributárias contraídas permanecem válidas e devem ser pagas. É essencial manter controle sobre essas pendências para evitar problemas futuros com o fisco e restrições ao seu CPF.
Por fim, a guarda de documentos é vital. Recomenda-se manter todos os comprovantes de pagamentos, declarações anuais, notas fiscais emitidas e o Certificado da Condição de Microempreendedor Individual (CCMEI) com a situação de baixa. Esses documentos são importantes para auditorias futuras ou comprovação de sua trajetória. A assessoria de um contador é indispensável neste processo para garantir que todas as etapas sejam cumpridas corretamente e para orientar os próximos passos em sua jornada empresarial.












